Mônica Sena: inovação na Cultura sem perder a essência

CULTURA & VARIEDADES – LUCIANA TANI

Mônica Sena: inovação na Cultura sem perder a essência!

Mônica Sena nasceu em São Paulo em 06 de outubro de 1967. Atualmente mora na cidade de Oz (Osasco), na Grande São Paulo. Publicou a 1ª edição do Recriançar em 2005, com belas ilustrações de suas três sobrinhas Juliana, Raquel e Fernanda. Neste novo trabalho, ela une as duas poesias acatando a sugestão desafiadora de fazer um livro em dois, um livro-vira, sugestão da encantadora publisher Christiane Donizete responsável pela Soul Editora e ilustrado pela brilhante Júlia Navarro. Mônica Sena é formada em Pedagogia pela UNIFIEO/Osasco. Tem três especializações: Psicodrama pela PUC/SOPSP-SP (2007); Linguagem das Artes – Centro Educacional Maria Antonia/USP (2011) e Dança e Consciência Corporal – Faculdade Estácio/SP (2020). Em 2022, aposentou-se da área do magistério na Prefeitura Municipal de Barueri, onde atuava desde 1999. Desenvolve oficinas com jogos e brincadeiras, poesia e contação de histórias; atividades diversificadas na formação de professores por meio de técnicas específicas visando a reflexão e conscientização para o trabalho num ambiente saudável, o que lhe rendeu em 2015, o título de melhor trabalho com o poster ‘A memória da infância no adulto transformada em brinquedo’ no XIII Seminário de Educação Física Escolar da Universidade de São Paulo – USP, e em co autoria de melhor trabalho com o tema ‘Abra a mão e feche os olhos” – a literatura poética intermediando relações na cultura surda no Ensino Fundamental II; apresentado no II Simpósio do Grupo de Estudos da Língua de Sinais e Cognição do Departamento de Linguística (DL) da Universidade de São Paulo/USP-2016.  Ainda em 2015, no Espaço Event ‘s organizou um Grupo de Estudos com o tema: ‘Recriançar:  A cultura lúdica no universo do adulto’ com o objetivo de unir o desejo e o encantamento no brincar com vivências e estudos na cultura lúdica. Teve participação em algumas antologias com destaque para a poesia ‘Palavras’ pela editora Scortecci em 2016. Em 2021, participou de uma coletânea infantil com a poesia ‘Barco’ no livro Poesias Dobradas pela editora ArtLivroz.

“Brincadeiras de criança entre as irmãs, motivadas por sua Mãe Alzira (falecida no dia 12 de outubro de 2022). Pular corda – é o que mais desperta na autora o brincar, neste sentido cresceu, formou-se
educadora. Hoje, entre saraus e contação de histórias sua arte se faz dançando com palavras na poesia, nos remete aos tempos de brincadeiras resgatadas do quintal, rua, parque, escola;  reacendendo no leitor a vontade dos pés no chão, rodar pião, jogar pedrinhas ou cinco Marias… Todas as idades revivendo seu tempo nesta resiliência do Recriançar para toda a vida”.

Apresentação do livro

“E se crianças fazem graça, Mônica Sena escreve com graça para crianças.
Assim como Cecília Meirelles em Isto ou Aquilo, sem saber se brincava ou se estudava, a
autora também tem dúvidas e assim quer fazer as duas coisas ao mesmo tempo.
Podemos dizer que Monica Sena conseguiu. Recriançar alcança estes dois momentos já que é possível aprender palavras e modos de brincar.
As crianças desenvolvem brincadeiras e os adultos também se divertem pois viajam em suas memórias sobre os passatempos da época em que eles eram crianças e pulavam
corda e amarelinha, brincavam de roda e esconde-esconde, bolinha de gude, peteca e roda
pião.
Monica Sena, que é professora, mãe e escritora, com seu jeito terno, delicada e cheia de flores no pensar, registrou em poemas totalmente ilustrados a magia do ser criança e do brincar.
É como um mergulho em uma piscina de emoções. No correr dos versos é possível se
divertir fomentando o hábito da leitura e das brincadeiras que despertam criatividade,
estímulos, convívio e interatividade, inclusão, alegria e descontração.
Monica Sena pensando em reavivar as brincadeiras de sua infância, nos presenteia com
poemas pueris recheados de aventuras e diversão. Cheios de graça, os versos fazem festa nas páginas de Recriançar.
A poeta brincante consegue criar um pequeno espetáculo onde a alegria é o ingrediente
principal desta receita tão antiga de ser feliz brincando e cada leitor e leitora se torna
protagonista da poesia que graceja no breve encontro que é capaz de alegrar e fazer voar
em pensamentos.
Os poemas são lidos, as brincadeiras são feitas, chega-se à última página com vontade de brincar tudo de novo hoje, amanhã e depois de amanhã.
Abrindo a porta de mansinho para passar o menininho como fez Vinícius de Moraes em A
Porta, Monica Sena abre as asas da imaginação para o mundo encantado e voando que nem papagaio ou rodando que nem pião, todos tornam-se reis e rainhas com graça, verso, sorriso e animação.”

Adriana Paris

Poeta, Professora e Contista

Com o esposo também poeta e escritor Juraci Silva.

Mônica Sena e Juraci Silva, também poeta e escritor, estão juntos há 25 anos, têm um filho, João Pedro, agora com 11 anos, chamado carinhosamente pelos autores de seu mais belo poema.

Por onde passa Mônica deixa um rastro de brincadeiras e memórias afetivas. Adultos querem rodar o pião, pular corda, amarelinha, cinco Marias, além de comentarem sobre suas lembranças.
Mônica diz ainda que a pandemia abriu caminho para uma escrita mais sólida, porém sem perder a ternura. Versando sobre diferentes temas, inclusive tocando em suas feridas como o falecimento de sua mãe. Para este ano já estão em andamento 2 livros, um deles com ilustrações de Léo Costa, duas grandes surpresas para seu público. E ainda existem projetos de outros livros para os próximos anos.

Com o filho João Pedro, o xodó da família.

Bate-Papo com Mônica Sena

Como você inicia o processo de criar e escrever seus contos tem algum segredinho que pode nos contar?

Por enquanto não tenho contos. Escrevo poesias. Procuro prestar muita atenção aos meus pensamentos. Às vezes as ideias vêm e vão rapidinho. Ando sempre com caneta e papel para não perder o momento. Agora o celular ajuda bastante, gravo o áudio ou escrevo as poesias. Não tenho um segredo assim específico, porém creio que quem escreve não pode andar sem algo para anotar suas ideias, seja caneta, papel ou celular.

O leitor sente todo o universo de uma boa história, você sempre escreve sobre um sentimento “próprio” ou é total inspiração envolvida pelo contato com a natureza e os astros?

As duas concepções são verdadeiras. Algumas vezes escrevo sobre meus sentimentos. Outras vezes quando o sentimento do outro me toca, escrevo sobre eles. Mas não necessariamente  identifico quem é, mesmo os meus sentimentos

Como escritora, deve ter lido muito. Qual livro marcou você, algum momento da vida?

Um livro que me marcou muito foi Rei Mateuzinho I do Jannus Korczak. Este é o pseudônimo de um médico, pedagogo e escritor polonês. Uma pessoa muito especial que via a criança como criança e mostrava por meio de seus atos e seus escritos o quanto é importante respeitarmos a infância. Também criou um orfanato para atender crianças judias órfãs.  Tem  uma história de vida linda em defesa dos Direitos das Crianças que pode ser conhecida no filme “AS 200 crianças de Korczak”. Outro livro dele é “Quando eu voltar a ser criança” que nos mostra como os pequenos são de fato.  Agora livros de poesia, autores poetas muitos. Mas posso falar de duas poesias que me marcaram muito. Trem de Ferro do Manuel Bandeira e Tem Gente com fome de Solano Trindade. A batida, a sonoridade destas duas poesias fantásticas, ecoava em minha cabeça. Um dia uma poesia veio prontinha pra mim com o nome de 55 crianças, numa homenagem que fiz como despedida de uma escola onde trabalhava. Isso foi em 2015 e só agora ela está sendo preparada para se tornar um livro. E eu já adianto: “Está lindo!”. E ainda neste contexto tem a pandemia, momento em que me aproximo de muitos poetas de São Paulo e outros estados do Brasil que significaram um marco na minha vida – A Live de Quinta e o Sarau Ricadri. Eu costumo dizer que a menina poeta cresceu com esse envolvimento.

Conte para nós quando foi que  você sentiu, que poderia expor confiante seus contos e poesias sendo uma escritora.

Esse momento eu me lembro muito bem! Foi num curso de alfabetização na Escola da Vila na Vila Sônia/SP – A  responsável pelo curso Teca Antunes sempre fazia uma leitura no início da aula. Eu sempre li para os alunos, mas a interpretação da Teca me fez ter vontade de ter um livro de minha autoria e foi aí que eu lancei o Recriançar I em 2005 com a Teca Antunes escrevendo a apresentação.

Uma frase?

“Iluminar, iluminar sempre esse é meu lema e o do Sol”.   Maiakóvski
“…E então tirarei teus olhos para colocar no lugar dos meus e colocarei meus olhos no lugar dos teus. E eu te verei com teus olhos e tu me verás com os meus.”  Jacob Levy Moreno

Um sonho?

Publicar meus livros. Pelo menos mais 2 em 2023.
E  ser lida, creio que isso é mais importante.

Um momento marcante?

As brincadeiras com minha mãe. Ela se foi, mas seu brincar nunca sairão de mim e enquanto eu viver quero lembrar às pessoas o quanto é gostoso brincar, para que as brincadeiras antigas possam continuar de geração a geração.

O que você diria da nossa cultura de hoje?

Penso que estamos vivendo novos desafios neste momento. A cultura foi covardemente atacada, porém nós artistas resistimos. Neste momento me parece que ela (a cultura) está num patamar mais elevado. Eu acredito que seguiremos fortes.

Minha mãe no lançamento do meu livro Recriançar II. Em 12/10/2022 foi brincar com os anjinhos lá no céu. “Todo meu brincar, aprendi com minha mãe!”

Contatos:

https://www.youtube.com/@mamaefilhinho2195

https://www.instagram.com/monicavisena/

https://www.facebook.com/monica.sena.560?mibextid=ZbWKwL

Fotos: Arquivo Pessoal/Divulgação.

 

 

Matéria publicada pelo A Hora da Verdade